
O frio escandinavo arrefeceu e muito o orgulho nacional. A selecção portuguesa de futebol deslocou-se a noite passada à capital da Dinamarca, Copenhaga, e exibiu-se miseravelmente num Parken Stadium repleto de adeptos dinamarqueses que, inclusivamente, tiveram oportunidade de gritar “Olé” aos portugueses na segunda parte do jogo. Incrível, não? Em todo o caso senti-me um pouco confuso durante todo o encontro tal era a falta de ambição dos jogadores lusitanos, alguém lhes garantiu que a Holanda iria no mínimo empatar na Suécia? Alguém lhes deu por garantido que naquela noite o apuramento directo seria obtido? É que nem para o empate denotou-se grande esforço. Vejo-me e revejo-me na interrogação de muitos nós, telespectadores, que de visionários jurámos que ao banco tinha voltado Carlos Queiroz. Deixando as supostas alegorias de lado, o jogo de ontem foi, no mínimo, embaraçoso, humilhante e traumático. Como poderá depois de um jogo daqueles um jogador com a experiência de Nuno Gomes se dirigir ao flash interview e prometer o apuramento a muitos dos portugueses que vêem nesta selecção o seu sentido de orgulho e escape para as dificuldades que o país enfrenta? A jogar com a garra que, ontem, (não) demonstraram será algo difícil de cumprir.
Vejamos o que nos pode calhar em sorte ou azar neste playoff que a selecção nacional decidiu inscrever-se: Turquia, Bósnia, Montenegro e Estónia. Uma equipa bónus, a Estónia, e três equipas de valor e que prometem dificultar as nossas contas. O que todos os portugueses pedem, seja lá quem estiver no banco a comandar as tropas, será o apuramento. Mas, enfim, sofrer sempre foi o nosso triste fado.
“Quantos de alma lusitana As vezes o sonho engana.”
Autor da crónica: Alpha12e
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